Um mundo novo

0 Posted by - 26 de Junho de 2013 - Opinions

Crescimento : desde o mero cidadão ao ministro mais pretensioso, todos falam de crescimento. Da economia claro. Porém, sabe o senhor ministro e acima de tudo o cidadão comum que a curto ou médio prazo esse crescimento não virá. A curva ainda se encontra no seu percurso descendente e não há, repito, não há forma racional e real de a inverter. Por isso esqueçamos essa coisa do crescimento e tentemos (sobre)viver a uma realidade cruel que se impõe. O resto são filosofias eleitoralistas, às quais espero que todos façamos “orelhas moucas”.

Publicidade. Como vamos aplicar isto à publicidade quando os dados apontam para quebras de investimento de 60% nos últimos 5 anos e os analistas referem que “não se vê o fundo ao tacho”? Também não haverá crescimento, pese embora a magnitude das perdas tenha um cariz diferente na proporcionalidade hierárquica dos budgets. Os anunciantes perderam 5 (algarismo aleatório) , as agências 9 e os meios 20. Ou seja, há dinheiro para investir mas medo de o fazer. Medo, vergonha, ou simples aproveitamento da crise para rentabilizar budgets criando simultaneamente realidades das quais jamais sairemos, ou tal só acontecerá, quando uma boa parcela da estrutura das agência estiver no desemprego e os meios (que sobrarem) se encontrarem amordaçados pela chantagem do custo mínimo. Continuar este processo é sucumbir a uma espiral que tem como fim o desastre da indústria.

Investir em baixa, vender em alta. Atitude correta no âmbito dos mercados financeiros.

Diferenciar já! Atitude correta no âmbito de qualquer mercado.

Será esta a única solução viável para a nossa industria. Criação de valor acrescentado na inovação e criatividade. Ter coragem de mudar, não porque fica bem, mas porque será a única alternativa credível que evitará o contacto com o fundo do poço (ou quase, porque ainda não chegámos).

Particularmente no OOH, adquirir novas soluções tecnológicas e adaptá-las às posições existentes na rua. Criar interação entre o consumidor e as marcas através de iniciativas “touch” ou “AR”. Ir mais além ! Conduzir o cidadão numa viagem entre o simples cartaz de rua até à página de uma rede social e integrar o digital no processo. Aproveitar o rápido crescimento do “mobile” e dar-lhe utilidade no processo criativo. Ter, em suma, a coragem de reduzir a oferta tradicional, adicionando novas formas de comercialização que aproveitem todo um potencial de rentabilidade fornecido pelo ponto de venda. Terminaram (há já muito) os tempos em que o estaticismo provocado pelo equilíbrio na procura nos proporcionava tempo para analisar e planear. Esse chip avariou-se. Há que trocá-lo.

Chegou o tempo de deixar de olhar para o umbigo. Deparamos com um mundo novo que se move a uma velocidade vertiginosa e deixa para trás inexoravelmente quem não dinamizar o seu produto, marca, meio. Para que tal não aconteça há que não ter medo de arriscar, fundir, criar parcerias numa óptica “win win” de modo a que não subsistam mais argumentos que justifiquem o desinvestimento. Dependerá do nosso empenho e que este nunca nos falte.

José Carlos Lucas