Lucky Luke

0 Posted by - 7 de Maio de 2013 - Opinions

“Então como vão as coisas?”

Esta é a frase comum a todas as reuniões, almoços, encontros em que se juntam interlocutores do mercado publicitário.

Em 2012 ainda se faziam umas caras feias acompanhadas do comentário “este ano está a ser terrível (…) um ano atípico”. Agora transparece apenas a inevitabilidade  que 2012 não foi afinal um ano atípico mas sim o primeiro ano da nova normalidade, ou seja, o ano em que na maioria dos segmentos de mercado não se conseguem segurar quebras de vendas, margens e estrutura. Impõe-se dizer que nada será como dantes, ficando a dúvida sobre em qual dos momentos  é que vivemos de acordo com uma realidade sustentada, ou se tal nunca foi feito.

Perante todos estes novos pressupostos, as empresas teriam de reagir, nomeadamente no meio  exterior (hoje pomposamente OOH), em que não basta sabermos que a comunicação está na rua, se impõe, é visionada, comentada e não oferece dúvidas. Num tempo de rutura exige-se uma mudança de rumo que torne a oferta mais competitiva, adequada às necessidades das marcas e acima de tudo aos budgets de cada uma. Torna-se absolutamente necessário –  no que diz respeito ao OOH – avançar com a mesma ideia de há 20 anos : aplicar o digital ao meio e fazer com que algo estático se torne apetecível numa era em que o papel é um ser em vias de extinção, com auguram os mais pessimistas. Será ? Creio que não. Ainda vão passar alguns anos em que a dicotomia papel/digital estará na ordem do dia coabitando no mercado cada um com os seus argumentos. Todavia, não tenhamos dúvidas que o digital se imporá de uma forma natural.

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Obedecendo a esta inevitabilidade, a Cemusa no seu papel de líder em inovação de rua (média de uma criatividade especial por semana em 2012) e todos os operadores de exterior tiveram de criar uma  dinâmica em torno de soluções digitais que abrangessem um espectro suficientemente alargado de modo a serem absorvidas por vários níveis de budgets. Não é tarefa fácil numa época em que se procuram rentabilidades e retornos rápidos, exigidos por marketeers que fazem Lucky Luke corar de inveja. Inovação, impacto, retorno.  De imediato e sem rodeios é o pensamento de uma geração que se habituou a deglutir “junk food” e exigir resultados à velocidade da luz e, acima de tudo, com  budgets reduzidos…ou mesmo sem eles.

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Existem, no entanto, muitos profissionais que não se esqueceram dos passos naturais de amadurecimento de um produto e têm a  perfeita noção que, embora as soluções digitais possam estar ainda acima da disponibilidade financeira de uma boa parte das empresas (provavelmente um mito a fazer cair),  há que apostar em novos rumos  e, como sempre acontece,  os que decidirem ser pioneiros neste tipo de solução, verificarão que tomaram a dianteira do mercado e serão sempre vistos como inovadores sérios e  leaders para além do seu segmento.

Respeitemos então a rapidez de Lucky Luke, mas não nos deixemos ficar para trás naquilo que diz respeito ao mercado em que trabalhamos, pois não temos outro e o país necessita que profissionais arrojados tomem “o leme” de empresas inovadoras e com potencial investidor. Investir sustentadamente em soluções inovadoras é o primeiro passo para inverter a tendência pessimista que se impôs.

José Carlos Lucas