Gert, a bela da bola de Berlim.

0 Posted by - 6 de Junho de 2013 - Sem Categoria

Acordou muito antes do nascer do Sol tal era o incómodo do calor que se fazia sentir em casa. Aquela marca de ar condicionado (uma pechincha aconselhada por um colega) nunca lhe tinha inspirado confiança e o instinto deu-lhe razão. Alguns meses depois avariava. Valia a velha ventoinha altamente recomendada pelo seu pai, praticamente a única herança, mas de marca conceituada. Ainda trabalhava e era a única brisa que percorria o pequeno apartamento.

Arrumou a mochila e foi para a praia. Chegou cedo. Ainda andavam gaivotas brancas pelo areal, tentando a todo o custo conquistar os restos do repasto de uma noite de faina. Aproveitou o ar ainda fresco da manhã e decidiu correr um pouco. Ligou o smartphone à net e sintonizou o seu posto de rádio preferido. A eterna dúvida surgiu mais uma vez : estaria conceptualmente a ouvir rádio ou ligado à internet? A música era boa e isso prevalecia. Bom ritmo para correr e respirar a maresia tão peculiar em cada manhã.

O dia decorreu sem sobressaltos, tal como um dia normal de praia em que o objetivo é apenas descansar e bronzear sempre sob a capa de bons protetores, conceituados e com provas dadas em testes clínicos. Marcas inteligentes. Como é bom sentir que o Sol está apenas a dar a tonalidade certa garantindo em simultâneo que à noite não estará esticado numa marca (maca, perdão) de um qualquer hospital público acompanhado do belo saco de soro hidratante.
Após um almoço leve trazido de casa (o orçamento não permite outras aventuras) e o café bem tirado, nada melhor que um novo passeio para “desmoer” como diziam os antigos. O passeio “afterlunch” – dá sempre um certo status usar estrangeirismos, para além de encobrir a falta de domínio da língua – incluía como referido o saborear de uma boa marca de café na barraca oficial da segunda praia mais a oeste. Tinha-se tornado um hábito e a qualidade era muito superior à do restaurante que servia a sua “beach” (impecável hein). Tratava-se também daquela pequena caminhada em que se salvaria umas quantas famílias de boladas certas (na praia encontram-se os melhores cromos do futebol) e para “lavar a vista” com os multicoloridos biquínis, ou melhor, a falta deles.

Finalmente chegava a hora em que a praia se transformava no paraíso : o pôr do Sol. Praticamente indiscritível o que se sente ao final do dia numa praia apenas com aquela suave e morna brisa. Sentado de frente para o oceano que apenas balbuciava um som tipo casa de massagens a sério, bebericando aquela marca de cerveja à temperatura ideal, hum…poucas coisas se poderiam imaginar tão satisfatórias. Algumas, mas poucas!

Mais um dia de praia se passou. Um dos vários que o melhor resort pode proporcionar. Um luxo tão perto de casa, onde se consome por gosto e com qualidade. Mais um dia em que as marcas foram necessárias para se obter o valor acrescentado necessário. Tente-se por isso defendê-las e consumi-las, pois sem elas “the beach economy” é algo vão.

Por acaso e sem querer ser brega, ficou sem saber a marca do momento alto da manhã no “Caparica Sun Beach Resort” , terceira toalha no sentido do estacionamento : a incomparável bola de Berlim que a dona Gestrudes lhe vendeu pelas onze horas. Uma delícia, marca Gertrudes com certeza. Ou “Gert” para sermos marketeers.

José Carlos Lucas